09 dezembro, 2012

Se me quisesse


Mas de todo modo, se você me quisesse eu não iria te querer,
E se não me quisesse eu iria te desejar, cobiçar,
Porque quem me deseja eu fujo, me perde entre os dedos,
E quem me recusa me atrai, me ganha, me tem,
Talvez porque quem me deseja me assuste, me sufoque,
Mas quem não me quer, me convida á sedução,
Aventurar-se entre o proibido, a duvida, o desafio,
O que atrai de verdade, talvez seja esse par de olhos
Profundos que penetram, mas que não podem ser penetrados,
Um rosto com detalhes angélicas e um quer de maldade,
Fatal, onde parece o mal predominar, mas que sempre na hora certa,
O lado bom prevalece em meio ao sombrio porte de antes,
Talvez uma ameaça... Convertida em salvação... Tentação,
Esse mal transformando em cura, que consome, que adula,
Esse olhar cheio de mistério, maldade mesclando bondade,
Tão profundos olhos que jamais poderia decifrar se bom ou se mal,
Se contra ou a favor de meu bem querer silencioso, provocativo,
 Se esses olhos mistos me tem cativa ou se cumplice,
E se toda aquela força me é por defesa, ou ameaça,
Mas sei, que se me quisesse, me perderia,
Se me recusasse me desafiaria a ter-te todo em mim, pra mim.

Teus lábios menino



Estes seus lábios tão bem desenhados
Parecem ser tão bem procurados,
Ah! Esse teus lábios gelados
Que me torturam, me procuram,

 
 Esses teus lábios proibidos menino,
São tão desejados e calmos
Que fico observando mesmo calados,
 

 
Mas sempre em segredo,
Pois meu olhar já trilhou
Cada linha desta sua boca,
 
 
Já usei toda força em recusa,
Mesmo sedenta desde teu gosto
Mesmo desejando provar desse...
Teu pomo proibido garoto...

 
Pare de me tentar baixinho
No pé de meu ouvido,
Tire de vista esse teu lábio


Não chegue tão perto falando,
Tape essa boca moço bonito
Antes que eu te roube pelos cantos
Um beijo meu doce menino,
 
 
Anjo atrevido que venho resistindo,
Ah! Os contornos dessa tua boca,
Desses teus lábios proibidos menino.

Resguardo da alma

Chegou de novo a hora,
A luz me incomoda,
A quietude da madrugada
Me embala, me apazigua,

Chegou de novo aquilo,
Sinto a luz diminuindo
O escuro, o mudo
Me chama, o mundo
Já me enfadou, chegou...
 
Chegou o momento
Do coma, da ausência,
Vou descansar, vou voltar
Para aquele mundo
Onde não sei onde é,

Amo os milênios por lá,
Vou por lá descansar,
Resguardar Minh’ alma
Cingida por quieto vazio.

18 setembro, 2012

Coração Inquieto



Eu venho sentindo uma saudade
De um qualquer, que nunca existiu,
O que nunca partiu já que nunca chegou,

É mais uma solidão expandindo,
Vem se alastrando porque tenho notado,
Quando agente para pra notar
Começa a doer um vazio sem encaixe,
Um vago sem dono ou cômodo,
Uma ausência do tal incômodo,

Intrigada perguntei pro coração:
-Que queres coração inquieto?
Ele respondeu resmungando:
-As dores de uma paixão!

15 setembro, 2012

Minha Verdade



Não importa qual seja a verdade
Desde que seja a verdade,
Não importa quão grave, ruim,
Ou dolorida seja essa verdade,
Me chicoteie com ela...
Mas não me acaricie com
Mentira alguma!
Porque sempre vai ser mais brando
A verdade do que a mentira!

Moça Moderna



Ei moço bonito...
Eu não quero saber tua posição,
Nem se é perfeitinho assim,
Só quero saber da tua boca
Colada na minha,
E teu cheiro grudado em mim,

Não quero ficar zanzando do teu lado,
Quero é viajar nesse teu olhar
Profundo e tão escuro,
Mas não se iluda não, caro menino
Só estou de passagem e nada
Pode me prender por muito tempo,

Fale coisas sem noção
Que quero ficar te ouvindo distraído,
Só quero teu peito de abrigo, moço bonito,
Quando já saciado de meu corpo
Descansar quieto do meu lado,

Não me tente moço bonito
Que eu te acorrento rindo
Pelos caminhos d’um futuro sinistro,
Não tente me prender com cinismo
Que eu me vingo moço lindo,

Pois nas horas erradas vou te procurar
E me arremessar num aventurar
A procura de teu corpo a me saciar,
Sem cobrar castidade em teu olhar,
Desejando encontrar apenas malicia
Em tuas retinas ardentes feitas as minhas,

Quero ser uma vitima de tuas maldades,
Aquela atrocidade que é sua especialidade,

Não pergunte “porque?”
Eu só venho procurando
Tudo que achei em você,
Eu vejo tudo por outro lado,
Só quero de você tudo que te sobra,
Te doando tudo que te falta,

E por hora você me satisfaz,
Por hora sou o que você quer,
Por hora sou tua, por inteira,
Mas serei eterna enquanto
Estiver nos teus braços,
E você será tudo enquanto estiver,

Mas por hora só quero te beijar
Sem ter que entender o que sinto,
Sem me preocupar no que vem depois,
Pois o depois não me importa,
O agora já me basta...
E é já que eu quero te beijar,
Sem te cobrar nada mais que prazer,

Moço bonito de rosto redondo,
De sorriso faceiro feito luar
A me tentar em cada olhar,
Venha cá tomar meus lábios
Que por hora ardem de desejo
Só por ti...
Larga essa marra pra lá
E vem pra cá se divertir,
Que por hora te quero aqui.


04-08-2012.


08 setembro, 2012

O que eu queria...


O que eu queria era só que um par de olhos
Me encontrassem em meio a essa multidão,
Que fosse assim um amor à primeira vista,
Uma paixão que viesse da faísca de um olhar,
Que ele não me notasse porque estou a encarar
Ou um tanto vulgar, ao ponto de me destacar,
Eu só queria que alguém me achasse
Quando ninguém mais me enxergou,
Que chegasse de mansinho feito menino faceiro,
Jogando um charme e um sorriso,
Fazendo uma pergunta qualquer
Uma boba mesmo que me faça rir,
Mas que daquele momento em diante fique...
Fique ao menos por um tempo em minha vida,
Pois meu olhar e meu sorriso quando chegar
Irão te dizer “não se acanhe moço bonito
Que venho esperando por você”.

Hoje vou falar com Deus


Hoje vou falar com Deus
Contar como foi meu dia,
Como foi bom graças a ele,
Contar todos os sorrisos que ganhei,
Todos “Bom dia” que escutei,
Por cada buraco que pisei
E não cai e nem percebi.
Hoje preciso agradecer a Deus
Por aquilo que precisava atrasar
E não adiantou...
Por tudo que precisava adiantar
E não atrasou...
Hoje vou agradecer a ele
Pela direção do vento,
Pela intensidade do sol,
Pela lua pela manhã,
Pela garoa em meu ar
E pelo estio no meu caminhar,
Por cada olhar que não me alcançou,
E pelos que me encontraram
Quando preciso, mesmo escondidinha.
Hoje vou falar com Deus
E agradecer pelo bom humor,
Pelos detalhes que tornam
A vida mais fácil e agradável,
Hoje quando eu retornar
Pro meu ninho de travesseiros
Vou conversar com Deus
Até ele vir me buscar
Pra caminhar do seu lado
Pelas águas nos meus sonhos,
E neles lhe pedir que o amanhã
Seja tão agradável como foi hoje.

Venha logo olhos profundos


Não é saudade, é mais uma falta de algo
Que me faça enfartar em cada encontrar,
Ou um alguém que me deixe arrítmica
Em cada olhar, asmática em cada aproximar,

Um par de olhos que me façam mergulhar
Num mundo onde não saberia voltar,
Um abraço que me afogue de toda mágoa,
Uma boca que me tome todo ar,

Um corpo que me faça arder e em febre
Delirar em meio a teu fogo,
Que não me cobre saber nada de cor,

Que me guie pelos becos escuros
E não me deixe cair sozinha das ribanceiras,
E nas curvas se perca junto de mim,

Alguém que não me deixe olhar pra traz,
Não me dê espaço pra lembrar de nada mais,
Tenho saudades, sinto uma falta...
Do que nunca me adoentou de verdade,

Quero arder em febre por um par de olhos
Negros, verdes, azuis ou castanhos,
Que seja... O mais sincero e malandro,
Cheio de charme e maldade,

Ausência é meu mal, quero só um par de olhos
A me ensinar a amar, e a me arriscar
Pelas curvas mais perigosas que possam existir,

Mas venha logo olhos profundos me arrebatar,
Me ensinar arder de amores por ti,
Que já andei solitária demais por ai.

18 agosto, 2012

Coração Vacinado


Eu feito tola me peguei de novo apaixonada,
E do nada abobei... Ele sorria e eu me derretia,
E quando me olhava meu coração parava,
Ele me beijava e eu esquecia como respirar,
Ele me chamava e eu abanada o rabo
E corria pra obedecer, feito cão desprezado,

Nunca deixava a espera e vivia esperando
O que nem me lembro mais...
Os seus defeitos nunca parei pra notar
E os meus nunca parou de apontar,

Meus olhos sempre foram seus
E os dele nunca foram meus...
Ele me arremessava em meia aos meus medos
E eu o acolhia dos seus, o poupava de tudo,
E ele me expunha a desprezo e escárnio,

As dores das feridas foram ficando mais fortes
Que aquela paixão cega... E uma parte de mim
Foi morrendo as pressas, e passei a enxergar
Com clareza e desde então nunca mais fui a mesma,
Me transformou em mim mesma tudo isso,

Hoje sou vacinada e aprendi que ninguém
No mundo mereceria aquele amor
Que um dia tive nesse coração, hoje tão gelado,
Mas já curado que um dia foi abandonado.

31 julho, 2012

Tempestade no olhar



Tempestade no olhar, tudo que se podia dizer
Ao espreitar no fundo de meus olhos...
Talvez nem tão ao fundo precisasse procurar,
Quem sabe nas portas mesmo se podiam notar,
Uma tempestade, um turbilhão de novas emoções
Que antes a vida ainda não tinha lhes doado,
Um gosto amargo adocicado, confuso talvez,
Tão recente, tão crescente que chega a assustar,

Mas de face a tua face, paralisada, emocionada,
Tentava engolir em seco ou escapulir dali
Pra não me escapar palavras ou ações,
Pra que não me rendesse como réu confesso
De um sentimento nem tão profundo,
Mas raso, coevo, em uma explosão inesperada,
Que dava pra ver bem pelas beiradas de um olhar
Confuso, pego de surpresa quase a se render,

Com a pressão do teu corpo tão próximo,
Teu olhar tão fixo, tão possessos dos meus,
Pareço nem encontrar o ar, esqueci como respirar...
Então acalme logo esse meu olhar tempestuoso
Pra quem sabe voltar a respirar antes qu’eu desmaie...
Dê cá logo estes lábios a me calar qualquer recusa,
Pra que eu feche enfim meu olhar, e venha a mirar
Tua alma a me enlaçar e me acalmar desse turbilhão.

Sonho e nada mais



E de repente teus lábios eram tão urgentes,
Tão colados feitos os meus, tão inquietos,
Me pareceram gelados de imediato,
Mas já haviam esquentado nos meus
E teus dedos emaranhados em meus cabelos
E o ar já não importava tanto,

Perdi a noção do tempo ali dentro do teu abraço,
O frio que nos rodeava não nos dominava,
Pois o fogo que ardia dentro de nós,
Esquentava-nos e nos consumia aos goles,
E eu só queria mais e mais dos teus lábios,

Queria que aquele momento nunca acabasse
Que o tempo parasse pra nós... E ali dentro
Dos teus braços, segura, segura de mim,
Cativa daqueles lábios tão candentes
Que me puxavam com toda força para si,

Mas o tempo a galopes sem dó nem piedade
Pulavam-se os segundos um após o outro,
Enquanto teu aroma colava em meu corpo,
E de repente um barulho bem atrás de nós,
Olhei bem de relance e voltei à procura
De teus lábios...

Mas já não os encontrei, você havia sumido,
Se defeito como nevoa em meio ao meu abraço,
Meio atordoada notei que não havia passado
De um sonho, um lindo e gostoso sonho...
Então acordei assustada sem você ao alcance,

Mas me pareceu que teu cheiro pairava
Ainda pelo ar... Minha pele ainda sentia a tua,
Mas se desfez ali na escuridão do meu quarto
E restou-me apenas aquele sonho dos teus lábios
Apenas sonho e nada mais.

Gotas de Saudade


Coloquei sentimentos demais em meu olhar
E ele veio a transbordar doces gotas
A pular em um abismo breve e carrancudo,


Ao recordar talvez de algum amar...
Ou soltas e agressivas palavras
A retornar em meu vago pensar,
Soltas a trilhar num mundo duplo
Onde jamais alguém poderá alcançar,



Alçou voo a um precipício sem volta,
Chão sujo, duro, ingrato, pisoteado,
Que acolhe obrigado, doce que amarga,
Água que logo vira barro em meio a pó
Sem a menor chance de resgate,



Depois de lançadas, nada lhes refugia,
Nada lhes acolhe, nem dó nem piedade...
Evapora então bem de pressa, vira ar,
Que meu silêncio vai pingar pela cidade,



Larga esse sentimento mal lembrado,
Machucado, escondido pelas covas,
Pelos cantos das calçadas imundas,



Que essas minhas gotas de saudade
Caim cheias... morram... evaporem
Pra nascerem livres... Irem
Pro céu virar chuva de verdade.

06 julho, 2012

Dor, magoa e só...


Ando observando bem os recuos que vem machucando,
As recusas aos pedidos de abrigo ou ao menos presença
Num olhar que enxergue toda essa solidão
Nesse meu coração que chora sem gemer, nem reclamar,
Já que não teria a quem contar toda essa magoa,

Ando medindo os cantos, o escuro, a ver...
Se ainda eles não me rejeitariam, se ao menos o vazio
Me acolheria num abraço longo... E demorado
Onde poderia me entregar novamente ao silêncio
De um vácuo, um espaço vazio qu’eu possa completar
Com toda essa ausência de um abraço amigo...

Toda essa falta dum olhar que compreenda uma dor
Quase que sem motivos... Sem pretextos a sorrir,
Ou a quem dividir um sorriso amigo,
Sem quem roubar um olhar, ou cativar um gargalhar,
Sem ter o que e a quem sempre...
E os prantos... E se assim ao menos os prantos
Me consolassem, mas nem eles se me achegam,

E numa última esperança, numa última ousada tentativa
Me lanço ao vazio, e me rendo ao fundo dum baú
De chave e sem dono nem como, me exilando,
Trancando e pr’um fundo retornando,
Pr’um lugar donde jamais deveria ter ousado me levantar...

A procura de um olhar amigo a quem pudesse distinguir
Como responsável por um sorriso si quer...
A um regozijar só em ter sempre por perto um anjo,
Que dizem chamar de amigo, que ao quer de abrigo
Se faz um abraço, no qual nunca fui digna desse amparo
Ou si quer um sorriso reciproco sincero ou cumplice,

Agora ainda com tantas abordadas de repulsas e repudio
Ainda carrego a esperança de num cantinho escuro qualquer
Ainda haver um vão espaço que me caiba...
Com toda essa minha magoa e dor de um mundo onde...
Nunca teve lugar pra um sorriso meu, só escárnio,

Solidão ao menos tu seja-me por abrigo... Te suplico...
Não amizade, apenas um cantinho escuro e abandonado
Pra onde possa voltar ao pó... Por dó, solidão
Dê-me apenas um canto frio sem manto mesmo
Pra que com toda minha dor, magoa e só
Volte ao pó, amparada pela ausência, feito um nada.



Corre Solidão


Corre solidão, vai correndo buscar
De quem eu possa chorar saudade
Num futuro de um passado a saudar,

Venha solidão trazendo um olhar
Assim como o meu desamparado,
A se juntar a esse meu coração
Magoado, ferido, sofrido,

Vá logo buscar aquele solitário
A me procurar pelas calçadas
De cada em cada rosto a passar,

Corre solidão que vem chegando
Aquele par de olhos meigos
Que a tanto estava esperando,

Deixa-me por aqui solidão,
Pois coração sabe bem quem chegou,
Ele vem iluminando meu coração
Só com um sorriso em minha direção,

Vai solidão pelas ruas das cidades
Procurar um novo cativo a ti,
Pois quem chegou não vai partir,

Solidão, passado que não me envergonha,
Que me guardou pra esse momento
Feito de um redescobrir a quem sonha,

Agora dois sorrisos, dois par de olhares,
Um só motivo de amar e amar
Um par a se completar...

Mas de saudade nem quero chorar
Quero é de presença me saciar,
De cheiro me embriagar,
De beijos me afogar num presente
Cheio de um futuro certo dele,

Nesse doce descobrir, doce gostar
A me esperar, a me procurar
Em meio à solidão a nos massacrar
Eu ei de te encontrar doce sonhar.