26 fevereiro, 2010

Aonde vais?


Aonde vais olhos distantes,
Aonde estas olhos que voam
No horizonte tão longe,

Olhos cor do céu que caminham
Pelas ondas que encapelam,

Pra onde vais pensamentos
De mente ingênua, solta a voar,

Que sons emitem esses seus sussurros
Que mexem os lábios no escuro,
A sussurrar tristes lamentos,

Que falo pra trazer o sorriso a teus lábios,
Que faço pra te fazer voltar este olhar
Que vai ainda longe vidrado a pairar,

Que faço pra curar tuas magoas,
E teus olhos de céu voltarem a brilhar,
Que faço se teu viajar
Longe, no horizonte de pensamentos
Segue sozinho sem medos.


20 fevereiro, 2010

Verdades da vida


Das surpresas da vida
É que surge a sabedoria

Dos muitos anos de vida
Se vem a fadiga

Dos tombos no decorrer da vida
Surge a flexibilidade
As tais dificuldades

É dos imprevistos da vida
Que surge o entendimento

É nas percas da vida
Que vem o valor
Do que ainda se tem

É pelas paixões enganosas
Que aprendemos a dar valor
No verdadeiro amor

São nas decepções da vida
Que aprendemos a não ter ilusões

São nas dores da vida
Que aprendemos que a vida
É uma piada sem graça
Nem risos nem sentidos

E concluo que a vida
Me seqüestrou e me mostrou
Que somente após cumprirmos
Nossa missão poderemos
Nos livrarmos dela

Ingrata quando ansiamos
Por irmos, nos seqüestra,
Quando queremos ficar
Nos leva de pressa.




Se é Sonho vamos realizar


Já que és Sonho vamos sonhar
Já que vamos sonhar que seja perfeito
Um Sonho perfeito pra ninguém por defeito

Já que és Sonhos vamos realizar
Já que sonhamos em realizar
Iremos nos amar incondicionalmente

O amor é um Sonho pois vamos amar
Então vamos amar verdadeiramente

Já que é Sonho, sonho te encontrar
Sonho correr ao teu abraçar
E render-me a teus doces lábios

E em cada minuto se sai um diário
Se sobre saem letras enquanto te aguarde
Meu doce e Sonho tão amado

Se és de Sonho vamos realizar
Se és abandonado vem pra cá pra eu te cuidar

Neste seu olhar sinto como se enxergasse
Toda solidão, abandono, ausência dentro deles
Me mói a alma saber que não posso abraçá-lo

Neste olhar vejo sua alma, um olhar lindo
Porém triste, amado venhas e deixe-me
Alegrar seus dias, dividir cada dor,
Compartilhar uma vida toda ao seu lado

Pois não tenho nada mais a te oferecer
Se não todo meu amor, meu carinho,
Minha lealdade, meu respeito
Minha vida e minhas pobres letras.


Frutos de um Sonho de amor realizado


Tu és cavaleiro esbelto
Que na minha meninice
Sonhei vir me buscar
Pra bem longe me levar

Que fosse construído
De um amor a antiga
De doces cantigas
Já de um tempo ido

Mas me vejo cá a amar
Um Sonho de livros
A espera de meu amado

Vivemos dentro de poema
Fora de mero dilema

E nosso amor se tornara
História linda de livros
De doce e puro amor
Que desabrochou

Escreveremos juntos
Uma história de amor,
Um livro de romance
Cujo titulo será:
“Frutos de um Sonho
De amor realizado”.

Fatal


Tudo que amo e venero
Surge algo destruidor como veneno
E extermina de minha vida

É desejar assassinar
Se me afeiçoar ou amar

Me é tirado antes mesmo
De me ser dado

Me é cobrado mesmo antes
De ser degustado ou aprovado

Sabores, cores, amores
Nada apalpável,
De risos se tornam apenas dores

Me pergunto pra que amar?
Se irão te abandonar!
Pra que degustar dos sabores?
Se eles deixaram de existir!

Pra que ter determinados gostos?
Se a vida fará questão
De os tornar em desgostos
Num já machucado coração!

É tirado dos meus braços
Até o último dos amores
Não me é permitido amar

Tudo que amo morre, fale,
Para de fabricar, deixa de existir,
Como querem que me cale?

Amar me é algo fatal,
Sentimento letal,
Se amo morre
Se amo foge
Se amo se vai

Se amo me é tirado
Se amo é extinguido
Se amo me abandonam

Me dói, pois não posso,
Não devo amar, me entregar,
Porém é o mesmo de matar
O que vinha tanto a amar

...

Trocarei meu coração caloroso
Um sentimento tão amoroso
Por pedra que pesa
Que é fria e nada sente

O preço de amar me é
Muito caro a pagar,
Justamente por amar
Deixarei este sentimento
De lado pra não me ser tirado

Contigo ousei sonhar



No seu olhar li o poema
Mais lindo existido

Dos seus lábios ouvi
As mais lindas palavras

Das suas promessas
A maior esperança
De um dia ser feliz

Da tua alma presenciei
As mais lindas escritas
A me animar, a me mimar

Nas suas palavras
Senti o amor brotar
E aos poucos
Me dominar

Sua existência transformou
Minhas vida tranqüila
Numa cheia de aventura

Você lindo Sonho
Que ousei sonhar
De um dia encontrar
E pra sempre amar.

16 fevereiro, 2010

Viva


Coragem minh’alma
Logo tudo ira acabar
A vida não foi feita
Pra ser perfeita

Mas mesmo assim
A vida foi feita
Pra ser simples
Mesmo com as trevas
A espreita

É fácil viver
O ser humano
Que há complica tanto

A vida foi feita
Pra ser fácil
Apenas fácil

Só respire, carne
Só pulse, coração
Só regozije, alma
Só continue com calma

É fácil, sorria
É simples, se solte
É prático, seja você

A vida é perfeita
Só precisamos que entenda

Se coração disse direita
Não vá para a esquerda,
Siga então essa direção
Coração te escolta

Apenas viva
Ávida foi feita
Simplesmente pra se viver

E ela é mais simples
E fácil de conduzir
Do que pode imaginar,

Então acorde do pesadelo
E viva o lado simples
Da vida
E aprenda o lado fácil
De se viver.

Vai palavras, vai palavras


Vai palavras, vai palavras
Buscar meu amor
Que me trás uma dor
Por tão longe estar

Vai palavras, vai palavras
Que forte sei que sois,
Mesmo em seu silêncio
Vai como o vento veloz

Vão palavras
No vento que te transporta,
Pois sei que se importa

Vão palavras
No vento levar
Aquele meu medo

Vai palavras, vai palavras
Discretas ditar
Meu casto segredo

Vai palavras, vai palavras
Que por letras se rasgas
E forma-se entre sílabas,
Minhas fiéis amigas

Vão palavras
Estes versos do poema
Esconder-se entre
O seio dos séculos

Vão palavras
Donde não posso ir
Onde não posso estar

Vai palavras, vai palavras
Amigas minha, lindas
Relíquia adquirida

Vai palavras, vai palavras
Entre o fogo, entre o mar
Dentre as angustia me libertar

Vão palavras
Do outro mundo
Trazer-me outra vida

Vão palavras
Entre o caminho
Entre o campo

Vai palavras, vai palavras
Minhas – entre as folhagens
Para nos séculos se refugiar

Vai palavras, vai palavras
Guardar-se no fundo da alma
De quem ama

Vão palavras
E permaneçam
Num lugar seguro

Vão palavras
Descrever o mundo e a
Humanidade como é

Vai palavras, vai palavras
Ditar minha vida,
Minha ida, minha vinda

Vai palavras, vai palavras
Ditar meu viver
E talvez meu morrer

Vão palavras
Levar de mim
Esta angustia

Vão palavras
Vai - por onde podes
Pr’onde alcanças

Vai palavras, vai palavras
Da tristeza
Trazer felicidade

Vai palavras, vai palavras
Das trevas
Trazer luz

Vão palavras
Do ódio
Trazer amor

Vão palavras
Me carregando
Me cuidando

Vai palavras, vai palavras
Das veias trazer vida,
Da lágrima trazer um sorriso

Vai palavras, vai palavras
Vai entre as ondas e tempestades
Até o crepúsculo buscar luz

Vão palavras
Do nada
Trazer tudo

Vão palavras
De um triste fim
Trazer-me um lindo começo.

Vai


Um dia amor implorei
Apenas um beijo supliquei
Desesperada chorei,

...

Para seus braços ingratos
Não voltarei
Este seu falso pranto
Não consolarei

Pode seguir chorando,
Mas bem longe de mim,

Pois não foi assim
Quando se tratou de mim?

Teus impossíveis


Eu queria compor
Como é seu sorriso,
Pintar sua voz
A entoar

Queria gravar o som
Do reflexo do teu olhar
A sensação do seu
Aroma a pairar pelo ar

Queria esboçar
Seus pensamentos
A viajar descuidados

Queria ler as linhas
Do teu futuro

Queria sentir a deslizar
Tuas mãos
No meu coração

Queria compreender
Esta louca paixão

Queria citar tua influência
No meu fôlego,
Na minha existência

Queria encontrar
A fórmula perfeita
Pra te eternizar
Só meu, só meu

Queria trilhar
Pelas curvas do teu
Perigoso corpo

Queria navegar na ondas
Do teu avassalador olhar
Mesmo correndo o risco
De me afogar.

Sou ...


Ainda sou a menina mulher
Que se esconde por trás
Da falsa face vulgar

Talvez melhor vulgar
Do que vulnerável
Melhor desprezível
Do que acessível
Aos olhares malditos

Que saudade daquela garotinha
Que corria atrás dos moranguinhos
Ainda verdes do querido vovozinho
Que saudade de ser sua princesinha

Estou cansada desse negócio
De tanto amar e confiar
E me encontrar num amor a meio
Pois em tudo apenas eu amo

E enterro aos prantos
Um quer que se foi cedo
De um casto leito
Tão sublime e avassalador
Que um dia chamaram amor

Já não entendo onde ficou
“Se tiver que fazer poesia
Que seja de alegria”

“E se tiver que se apaixonar
Que seja todos os dias
Pela mesma pessoa”

Não consigo entender
O que houve com
“Meu olhar verdadeiro
E meus beijos sinceros”

Eu só queria navegar
Pelas ondas do teu
Avassalador olhar
Mesmo correndo
O risco de me afogar,

Mas me dei mal
Pois não soube nadar
No teu desprezo
E me afoguei
E você continuou ileso

Custaram-me caro as linhas
Do conhecimento
E só então entendi
Que não se pode perder
O que nunca foi teu

Pode ver que foste
A única desgraça
Bem camuflada apelidada paixão
Num todo coração que vinha a amar

Mas continuo aquela menina
Que momentos lindos de um tempo
Que passou, porém que jamais
Esqueceremos por mais
Que o destino nos separou

É doloroso após tanto tempo
Ter que confessar que homem nenhum
Foi capaz de me fazer te esquecer

Que nenhum deles arrancou todo amor
De dentro de mim que desde o começo senti

Sinto muito mais ainda Te Amo
Com aquele mesmo amor
Mesmo depois de toda dor que me deixaste
Me abandonando

Ainda sou aquela sua menina
O que mudou foi apenas que você se foi
E ainda não retornou pros braços meus.



13 fevereiro, 2010

Sonho


És Sonho espectro que sempre sonhei encontrar
És anjo de doces palavras que me descompassa
És amigo imaginário com um leve toque de realidade

És Sonho puro, sonho inseguro que vivo a esperar
És cavaleiro de armadura dura de penetrar
Seu espírito, Sonho meu, me dominou e enlaçou

Sonho tão real, apenas no meu profundo ser
Homem ilusionista que em vão me conquistas
Se de seus lábios nunca provarei o sabor

Sonho, pra que exala sua essência sedução?
Se nunca sentirei sua respiração arfar
E se de teu colo nunca provarei do carinho
Sonho! Ah teu olhos nunca me verei refletido
Jamais verei deles o brilho vivo

Pra que Sonho meu, iludir-me com palavras doces?
Se nunca ouvirei sua voz sussurrar ao pé do ouvido!

Tão perto, tão distante, tão real, tão ingrato
Este mundo te colocando tão longe, Sonho meu!
Pra que criar meu Sonho, mas tão intocável?
Porque mostrar-me e não entregar-me?

Pra que estes meus lábios puros neste mundo
Se não posso dar-lhe a você Sonho meu?
Pra que estes meus olhares se não podem te alcançarem?
Pra que este meu corpo tão casto e puro
Se não posso compartilhar com meu doce Sonho?

Até quando este sonho será felicidade?
Quando tornara dura saudade, louca vontade?

Pra que tanta emoção dentro do meu coração
Se toda esta sedução será tudo tão em vão?
Sonho meu, Sonho meu te encomendei no céu,
Mas passei o endereço errado para o chefe,

Mas agora sei que em algum lugar do mundo
Meu Sonho é feito carne e letras, fôlego

Sonho, Sonho meu, poeta, poeta que venero
Caminho nos tortuosos trilhos de um coração poeta
Decifro seus embaraços, entendo seu passado,
Mas tudo que quero é te ter nos braços
Meu Sonho amado.



03-02-2010.

Só um cantinho


Reserves um cantinho, meu amor
Pra mim por mais que apertadinho

Eu sei que estas muito longe
E sem tempo a me encontrar,
Mas estarei sempre a te esperar

Só lhe peço, meu amor
Que não fujas do que o destino
Nos preparou

E não desprezes este pobre coração
Que vive só a te aguardando,
Com fé te esperando
Pra lindas emoções
A teu ladinho poder viver

Seu rosto não conheço
Nem o timbre da tua voz
Mas sempre, sempre, meu amor
Estarei a te procurar

Vou errando, vou tentando,
Mas uma hora te conheço,
Um dia desses te encontro
E seguirei, meu amor
Pra sempre, sempre te amando

Mas por hora, meu amor
Sigo apenas lhe aguardando.


Segredos da vida


Serei feliz no dia
Em que todos os mistérios da vida
Se forem revelados a mim

Serei feliz no dia
Que as estrelas do céus
Se despregarem
E o céu como pergaminho
Se enrolando se abrir
E eu nas nuvens
Flutuar sem me afogar

Serei feliz no dia
Em que tudo que me pesa
For tirado,
E leve ao universo
Puder voar sem pressa
Sem medo de cair

Serei feliz no dia
Em que meus olhos
Realmente se abrirem
Pros segredos da vida.

Sedução


Tu tens aroma de sedução
Que te acompanha feito sombra

Teus lábios provavelmente
Tem gosto de um adocicado
E induzido pecado

Suas mãos certamente
Quentes, febris, débil

Tua pele camurçada,
Camuflada de ovelha
O lobo faminto
De glória, história

Seu aroma caminha zeloso,
Encantamento ao passear
Brincando solto ao ar

Teu olhar simplesmente
Provocante, sedutor
Encantamento de pura magia

E sua respiração descompassada
Que embaraça qualquer resistência
Com seus doces lábios de mel

Varia minha mente, caro poeta,
Sê és ilustre sonho real!
Ou mero boêmio sedutor!

Revelações de Amor


Aos poucos os vultos
Vão tornando-se traços
Que vão dando formas
A um Sonho que sonhei

Os traços vão revelando
Aos poucos o rosto
Do meu amado

Um homem feito de Sonhos
Como pedi aos anjos
Por uma carta entregue aos céus

Pele morena, não pálida,
Olhos vivos escuro, não claros
Coração aventureiro
Já aprendiz da vida

Alguém que me cuida
E deixe-me cuidar,
Nos lábios doces e reais
Palavras num sotaque
Que me derrete o coração

No sorriso até covinha
Que pedi veio no rosto

Tão diferentes porém tão iguais
Tão distante, porém tão perto
Sonho, com toque tão real

Um encontro na esfera
Quase que desencontro,
Sentimento palpitou no peito
Ao descobrir sua existência,

Talvez amor a primeira vista,
Amor ao primeiro contato,
Que contato?
De Sonho, de existência.




Queria

Queria ser sua ninfa
Queria ser as misturas
Pra suas rimas
Queria ser sua musa
Queria ser o timbre
Pra tuas melodias
Queria ser seu remédio
Nas suas crises
Queria ser o ponto
Para tuas miras
Queria ser a fonte
Para tuas mirras
Queria ser o reflexo
De todos teus olhares
Queria ser as bases
De teus pilares
Queria ser motivo
Para todos teus milagres
Queria ser o mar
Se achegando até seus pés
Queria ser o vento
A te acariciar o rosto
Queria ser mulher
Pra te saciar
Queria ser criança
Pra tu me cuidar
Queria que fosses tudo pra mim
E que não estivesse
Tão longe assim
Queria meu Sonho
Em ti realizar
E pra sempre amar.


Poetisa Plebéia


Meu amor, sua poesia tão culta
Poesia tão difícil diz muito
Do que não venho a entender
Eu mera plebéia que também poetiza

Mas digo da coisa mais simples
Da vida de forma até informal
Digo de uma coisa universal
Que todos me entendem
Que é o Amar, que é Sonhar

Apenas dito como me sinto
De um coração sincero tudo digo

Te és poeta pra mim um Sonho
É como o primeiro vôo da ave
É como a primeira palavra
De um bebê que veio a nascer
É como alguém que passou pela morte
Mas voltou regozijante ao fôlego

Perdoe-me meu jeito simples
De poetizar, mas é a única forma
De lhe dizer o quando venho te admirar
E desconfio até amar-te
Perdoe minha astucia de tanto
Querer-te bem e não saber como dizer.


Orvalho


Desejaria ser
O humilde
E úmido orvalho
Da noite fria

Pra cingir
De gotas
Tua pálida
Faze a rir,

Mas pude
Apenas congelar
Teu olhar

Que num piscar
Se desfez
Por trás
Do teu continuo
Desprezo.

Olhar de perdição

Não se deixe levar
Por olhares minha amiga,
Eles enganam com mentira

Sim minha amiga
Um olhar basta

Oh! Minha amiga
Sei disso porque já sofri disto
E bem sei como dói e destrói

Oh! Minha amiga
Cuidado com essa dor
Que chamam amor

Cuidado minha amiga
Com esta louca emoção
Que chamam paixão!

No dedilhar do velho piano


No dedilhar
Do velho piano
Pensamentos
Estão a voar

Em diversas direções
Em muitas dimensões
Em acompanhamento
Das notas no piano

No sussurro
De minha voz
Lamentações saem
Num tom atroz

No rosto lágrimas
Ameaças descer,
As lágrimas
Ameaçam ceder

Nos leves toques
Do meu velho piano
Que nova melodia
Formasse da tristeza

Algo encantador
Que de tão doce
Alivia almas aflitas
Que’efeito contrario
Me traz

No silêncio
Da madrugada
Houvesse apenas
Meu abafado choro
Com um sussurro

Iguais sussurro e choro
Sufocados de angustias
Vão acompanhando
O som suave da melodia

Através de leves toques
Formasse brandas nota
De uma doce melodia

Que muitos de aflito ser
Acabam por sentir
O que venho a transferir

Anseio o final
De tal melodia
Me iludem
Que toda essa dor
Possa enfim findar

Mas somente esta som
E neste dedilhar
Consigo me controlar

Só esta melodia
Vem a me consolar
Que um dia
Tudo ira melhorar
Ou enfim tudo acabar.


 

Minhas mudinhas


Em um vasinho estou cultivando
Um brotinho chamado esperança

Num outro vaso ao lado
Esta um raminho todo calçado que é a fé

Um vaso grande tem uma mudinha
Que esta difícil vingar que é o amor

Num vaso maior ainda já apertado
Tem uma trepadeira chamada decepção

Igual a um outro que nem plantei
E esta nascendo erva daninha
Chamada tristeza

Mas numa estufa com todo cuidado
Estou cultivando uma mudinha
Chamada caridade

Cada muda com cuidado especial
Modos diferentes de cultivar

As vezes é até preciso fazer enxerto
De uma muda tristeza tornar em doce alegria
E assim seguimos a vida.

Me questiono


Sonho meu, será que estas palavras
Que saem de tua boca são verdadeiras?

Será que esse teu “Amo-te” é real?
Será que sentes mesmo tal?

Porque tenho por ti sentimento
Fora de controle, meu coração
Teima em descompassar
Quando estas a falar

Me aborrece perder o controle
De meus próprios sentimentos,
Pois você chegou desgovernando-os
Chegou reavivando o que estava morto

Não partas meu coração
Deixe-o como esta
Senão quiser o amar

Sou tola menina a sonhar
Com ilustre poeta distante,
Sou tola garota a amar
Um sonho feito de letras,
Vulto e imaginação,
Dentro de um doido coração.

Menina – Mulher


Me envergonhei
Quando ao espelho cheguei
E no reflexo notei
Alguém, alguém

Tão diferente, isolada
Uma garota escondida
Por baixo de um rosto pintado
Uma mascara borrada

Pra esconder o escuro
Que emana do peito,
Ocultar a dor que trás
No machucado peito

Uma garotinha
Que nos borrões quer ocultar
Sua prematura alma
Não, não idade,
Sim identidade

Grande na idade
Pequena estatura
Que há persegue
Idade que não se diz

Dum olhar ingênuo,
Ainda infantil
Que por trás de lápis,
Rímel e sombra

Tenta esconder toda
Sombra de duvida
De um ser machucado

Olhar sincero que se confunde
Num rosto vulgar,
Seus tons de vermelho

Corpo exposto ao desejo,
Mas que lhe causa pejo
Se recusa render-se ao beijo
É fel lábios sem desejo

Corpo frágil, sem defesa,
Sem protetor, sem consolo,
Sem dono, só maldade
E engano ao seu redor

Mente confusa de uma
Menina mulher
Escondida por trás
Dum duro olhar

Pejo quando lhe cai a mascara
Trincando ao tocar o chão
Tudo como antes no coração
Jogado, pisado e esmigalhado
Muito bem trucidado

Menina mulher
Se esconde por trás
Da face falsa vulgar

Que jamais se entregara
E tornar a errar
Caindo nos laços
Da dor de amar

Melhor vulgar
Do que vulnerável
Melhor desprezível
Do que acessível.



19-10-2009.

Luta contra amor nascente


Deus isto me dói!
Estou amando de novo,
Um vulto, um poeta
E que me resta ... amar?

Não, não quero amar
Dói, me destrói devagar
Dói a ausência
Fria saudade, dura realidade

Porque entregou meu coração?
A um outro, não quero mais paixão
Daí-me alguma solução
Para esta dor no coração

Não quero de novo acreditar
Em coisas que com o tempo
Irão mudar seu valor
E dando-me as costas
Vir a me abandonar

Sou de carne, faz-me pedra
Sou vidro, faz-me plástico
Sou rosa, faz-me espinhos,

Mas não deixes que meu coração
Sofra novamente louca desilusão.



08-02-2010.

Lá vem Paixão!


Minhas pupilas dilatam em função a te procurar
Meus lábios se ressecam a tua espera
Meu olfato se aguçam a te aguardar
Meu tato se sensibiliza a te esperar
E meu corpo ardendo segue te esperando

Maldição! Me deixei levar por esse sentimento
Vou de novo me ferrar, por me permitir sentir
Chega me dominando, me transtornando
E lá vamos nós, lá vem paixão de novo,

Sentimento intruso, intrometido, mal educado
Que depois sai deixando tudo bagunçado
E os pedaços deixados e os machucados
Nós que nos viremos e voltemos
Porque a realidade não tem bondade

Essência pecado, aroma sedução,
Uma grande confusão nos pobres corações,
Salvem-se quem puder, ou sinta o fel
Da doce avassaladora paixão.



Jeito simples


Sou a poetisa dos oprimidos
Dos menos favorecidos,
Pois escrevo do jeito simples mesmo
Pra que meu povo me reconheça
E sem dificuldades não se esqueça
Que sou a simples poetisa
Que lhes escreve seus dizeres
Do jeito dos mais simples

Sem muitas frescuras,
Mas com voz de doçura
Não com palavras chiques,
Mas sim com dizeres
Que algum dia veio a sentires,
Pois o que muito fala
Nada diz e coisa e tal,

Quero contar em versos bem rimados
Todas aventuras no mundo imaginário
Ou as lindas formas de enxergar
O mundo real, porém natural,
Mas quero que todas as classes,
Todos os estilos, todos os gostos
Entenda o meu jeito simples de poetizar,
Meu jeitinho natural de poetizar.



10-01-2010

Futuro próximo


A amargura
Me corrupta o corpo,
As rugas ríspida
Minha face,

A gordura
Me deforma
As curvas

As celulites fazem-me
Tropeçar no desgosto,
Os pés de galinha ciscam
No reflexo do espelho,

Os meus meigos
E lúcidos olhos
Escureceram-se o brilho
Ocultando a felicidade,

Os meus longos
E dourados fios
Se branqueiam
A cada instante

E o tempo rouba-me
A altura,

Meu caminhar
Se enfraquece
A cada passo

Minha alegria some-se
Por detrás da tristeza

Minhas mãos que tão
Delicadas foram
Agora me entristeço,

Meu delicado rosto
Se desfez com o
Sofrimento

Minha face corada
Com o tempo
Empalideceu-se

Os belos e brilhantes dentes
Amarelaram-se
E se foram antes
Abandonando-me

Tudo que era tão belo
Tornou-se tristeza

Custaram-me caro
As linhas da sabedoria,
Pago pelo conhecimento,

E as marcas não se apagam
Da minha face
Seguem me lembrando,

As feridas das vida
Me fizeram entender
O que é viver.


 

Floresceu amor em mim


Você floresceu em mim
Palavras que já tinha esquecido
Sentimentos que já não existidos
Emoções trancadas reprimidas
De feridas que foram tão doídas,

Mas você curou todas as feridas
De uma mente rica de alegrias,
Você curou um coração despedaçado
Já desesperançado, tão perturbado,

Mas você secou meus olhos calados
Você olhou em meus olhos mudos
E tirou deles ainda cansados
Um grito de um brilho já não ofuscados

Você floresceu em mim
Sonhos novos, esperança, sorrisos
Pois você tirou dos meus olhos calados
Um grito de paixão no olhar.

Estrada perdida


Meu andar consiste nas sombras
Meu trilhar segue o escuro
Meu olhar mero morto
Guarda na porta o que da alma sai
Funesto, sombrio luto,


Preto me cai sobre o corpo
Pra mostrar minha dor
De um quer que se foi,


Velo aos prantos,
Mas desespero aperta


Pois sem corpo tenho de sepultar,
Tenho de aceitar, tenho de enterrar


Tão sublime e avassalador
Que um dia se chamou amor


Na lápide fria, sombria
Acento lírios e orquídeas
E nele nem sei o que escrevo
Nem sei se quer devo


Um quer que se foi cedo
De seu leito tão puro
Num tempo tão curto
Que se foi ao nada retornando


Num enterro aos prantos
Tão sublime e avassalador
Que um dia se chamou amor.


Aquela escada


E me vi ali parada em cima
Daquele degrau onde subia
Pra te alcançar os lábios

Mas você não estava
Pra me segurar ao pular
E nem a me abraçar
Só solidão veio
Em minha direção

Derrubando-me
Daquele degrau
Me tirando o privilégio
De amar e ser amada.


Desespero pela saudade

Amor às vezes solidão bate no peito
E eu entro em desespero, não tem jeito,

Nestes momentos queria ter o teu colo
Pra neles poder me jogar, me abrigar
Em teu calor, e de sua voz ouvir consolo

E pânico me toma em querer-te perto
Realidade débil insiste em dizer-me
Que é mera ilusão que machuca coração

Quero aprender os caminhos
 de cada traço seu
Dos seus olhos sentir a alma e roubá-los
Pra sempre só pra mim, só pra mim

Dos teus lábios quero sentir o sabor
E neles provar do seu amor

Das suas mãos quero conhecer cada linha
Delas sentir todos os toques, todas defesas
E a covinha de seu sorriso ficar a venerar
Fazer de tudo pra sorrir para poder admirar

Quero fazer parte de toda sua revolta
Toda tua luta contra o injusto, o errado
E ficar da cama a te observar na escrivania
Escrevendo sua poesia social, de palavras leais

Queria, só queria você aqui comigo
Vezes agulhada da saudade tão forte vem
Que se traçam linhas no meu rosto invisíveis

E uma ira, revolta me toma num forçado silêncio
A ânsia de um grito travado pela madrugada
Amo-te Poeta, apenas Amo-te.

Com você!


Um dia ao parar
E me encontrar
A lamentar

Percebi o quanto cresci
Depois que você se foi,
Meu mundo ao seu lado
Era muito limitado
Isolado

S’eu estivesse como você
Meus cabelos não
Cresceriam um palmo

Ao seu lado,
Minha face
Não estaria corada,
Bem maquiada

Ao seu lado
Não teria terminado
O estudo tão sonhado

Com você minha amizades
Teriam me estagnado,
Ao seu lado tudo
Seria esgotado

S’estivesse com você
Não estaria a disposição
De novas emoções

Ao seu lado
Não teria me superado,
Não teria provado
O quanto posso
Ser forte e ter lutado

Com você meus horizontes
Não teriam se aberto

Ao seu lado o mundo
Não teria conquistado

Tudo tão limitado
Como seus sentimentos
Por mim, que se foi

Sendo assim me vi
Mais feliz e aprendi
Que não se pode perder
O que nunca foi seu

Então não te perdi
Apenas me encontrei.

À Armando Malvezi


Quem tanto me amava,
Vi partindo dizendo adeus,
Não porque queria,

Não porque não me amava,
Sim me amava,
Mas precisava partir
Pr’o mais amado.

Vi nos olhos o amor,
Da boca soar um pedido
Para qu’eu não partisse,
Mas que partiu
Sem volta não fui eu

...

Chorar, gritar,
Soluçar ou implorar
Não adiantava,
Não adiantou;

Mas ao me aquietar
E não mais gritar,
E se conformar
Que tinha de partir
Quem tanto amava,

Partiu sozinho,
Mas bem acompanhado.

...

Do leito sofredor
Foi embora,
Agora choro saudades,
D’agora peço por voltares,

Mas jamais retornaras
Dos sete palmos,

Pois foste num
Caminhar tranquilo,
Sem guardar o caminho
Pra volta,
Pois não há volta.

Guardo-te nas lembranças
De criança,
Guardo-te no coração
Com emoção,
Guardo-te de verdade
Com saudade,

Quem tanto me amava
Teve de partir,
E eu que tanto amava
Não pude impedir.
 
 
 

A pouco


A pouco levei agulhadas da saudade
A pouco chorei tua ausência
A pouco reclamei a distancia
A pouco questionei a realidade
A pouco notei uma certa verdade
Que desejo-te aqui ainda um dia
Pra trazer-me a alegria
Da tua tão esperada companhia
A pouco descobriu-me escondida
A pouco descobri amar-te
A pouco, tão pouco... descobri.



Anseio de menina apaixonada


E segue meu medo de te perder
Mesmo antes de poder o ter,
Pois um fio tão fino, tão inseguro
Nos une de lados opostos de um mundo

Temo que este fio se rompa
E tu se vá sem nem dizer adeus
Nem um beijo de adeus, nem um olhar
Já que não se houve um encontrar

Anseio por teu rosto preocupado
Tentando me localizar na multidão
Não vejo o momento de te avistar
E correr ao seu encontro a te abraçar

Sentir que este Sonho que tenho em mim
É real, e verdadeiro ao sentir
Seus braços envoltos em mim

E fitar seus olhos bem de perto
E seu rosto enfim ter ao alcance
De minhas mãos a tocá-lo

E de seus lábios ter aproximação
Num beijo ansiado por tanto tempo
E sentir o descompasso dos corações
Entregues a um Sonho realizado,

Mas tudo isso é apenas anseio
De um desejo num coração apaixonado.

Amo-te


Amo um vulto não corpo
Amo uma alma não carne

Um rosto estranho contemplo
Nos lábios o silêncio
Diz nos toques dos dedos
Um sonho esperançoso

Sinto apenas por palavras,
Vejo apenas o que escrito
De um coração distante
De uma mente diferente

Queria o tom de sua voz
Conhecer, e dela te escutar dizer
Todos os assuntos, todas paixões

De seu olhar quero o toque
De tua força defesa
De teu corpo consolo
De teu sorriso um motivo
A continuar vivendo

Sei, é querer muito de um Sonho
Mas tanto te quero
Á tanto te espero.