08 setembro, 2011

Doce Desprezo


Às vezes, você me deixa cega de raiva,
Nestas horas quero partir,
Pois descrevo todo meu amor por ti
E tudo que sabes é chamar minha atenção
Por minhas leves distrações,

E eu e minha vontade de te dizer
De todas as formas que te amo,
Mas você nem nota, ou faz pouco caso,
Te digo de minha saudade...
Você diz de tuas responsabilidades,

Enquanto meu coração dispara quando chegas
Tu do dia reclamas, sem pausas,
Sem nem notar que estou ali,

E se te digo que vou partir
A ira cresce e apenas me mandas ir,
Tenho de mendigar sorrisos,
Ou mesmo um olhar,

Se te digo que te amo, você esta com sono,
Sempre choro e tu debochas de mim,
Tenho de implorar perdão
Até pelo que não cometi,

E tudo é meio assim, teu desprezo dói aqui
Foram sonhos que construí no papel
E que deles nunca saíram por ti,

Minha escrita já perdeu a alegria,
Meus versos perderam a métrica
E nas estrofes me perdi da rima,

E as tantas intrigas que crio
É pra ver se você olha pra mim
E se lembra que ainda estou bem aqui
Meu doce desprezo.

Você já pensou... ?

26 agosto, 2011

Triste Árvore


Na aurora ou talvez
No declínio do nosso amor,
Gravamos nossos nomes
Numa forma de natureza,
Numa triste, seca,
Mas folhada árvore,

Nela quis eternizar nosso amor,
Porém não sabia eu
Que “nosso amor” talvez
Não existia ou morreria
Tão rápido, tão antes
Da própria natureza
Apagá-la da nossa árvore.

E gravado um dia encontrei
Nossos nomes, dentro do coração
Que você rabiscou ainda com emoção,

Numa forma triste, opaca,
Mas ainda se encontrava
Mais intacta do que nós,

Lá nossos nomes estavam
Tão juntos, ainda unidos pelo coração,
Como que se protegido
Numa gostosa sombra de outono,
Tranquila, tão diferente
Da nossa realidade.

Agora a distância e o esquecimento
É pouco pra nós
Que já não somos dois,
Eu já te apaguei
E talvez você
Nem se lembre que existi,

Mas parada ali olhando
Seu nome e o meu pensei:
-“Como pode tanto amor
Ser derribado por tão pouco”?
Tão rápido, tão frio!

Nem a força da natureza
Ainda apagou os nomes,
Mas amor a muito acabou,
Foi, me deixou e nem explicou

Qual foi meu pior erro,
Qual o motivo do enterro
De um amor tão imenso,
Tão curto, porém tão intenso.

Porém só o que há a dizer
Que enquanto durou
Foi bom, pena que algo
Te levou, mesmo você tendo
Jurado que jamais partiria,
Pelo menos sem mim não,

E no final de tudo
O que sobrou foi apenas
Seu nome, junto ao meu
Abandonados pelo tempo
Numa árvore triste,
Talvez por saber
Que nosso amor existiu...

Passou por ali, mas já acabou,
Que se foi com as estações
De dentro dos nossos corações
Todo aquele amor!

Amnésia do Poeta


A amnésia no poeta
É como um câncer
Que lhe toma a memória,
Arrancando cada palavra
Cada rima já escrita,

Lhe rouba a esperança
De voltar a encantar,
Com que um dia foi alegria
E lhe pertenceu, mas adoeceu,

Abandonando sem deixar
Si quer a memória a lhe contar
Como foi ser poeta,
Mas agora ser reduzido
A mera amnésia
Do que um dia foi entoado:
-“Poeta”!

Como um câncer...
Vai comendo aos poucos
As memórias, sonhos,
Palavra por palavra de um vocabulário
Rico de muito amor e rima,
Reduzido a nada... Mas
Talvez reste o encanto das rimas
Do poeta sem memória.

Minha Vida?

Minha vida?
É sentar e observar
O tempo andar,

Minha vida?
É deitar e esperar
O tempo passar,

Minha vida?
É olhar os dias
As noites mesclar,

Minha vida?
É aguardar dona morte
Vir me buscar,

Minha vida?
Almejar o fim chegar
E tudo enfim acabar.





Meu olhar é loiro, loiro  tão doido
Meus lábios reflexos daquilo que se quer ouvir
Meu rosto gordo, talvez tudo aquilo
Que se queira ver num rosto amigo
Meu coração talvez um flagelo qualquer
Meu coração mendigo sem casa ou abrigo...

E a lua como um olhar... Luta
Pra enxergar por detrás da
folhagem...
Luta por detrás das nuvens
Para lançar seu cálido lumiar
Aos loucos que ainda se
arriscam a amar!


Das trevas surgiu a lucidez
Dos meus pensamentos mais profundos,
E da minha derradeira loucura
Nasceram meus poemas mais lindos.

Vendedora de Sonhos


Sonhos eu os tenho
Eu os conto... Eu os sopro...
Eu os reinvento...
Eu os vendo sem preço
Eu os compro ao relento

Eu os reciclo... Recrio...
Eu os lanço sem medo...
Eu os trago de berço...
Eu os carrego no peito...
Eu os perco no caminho

Eu os amparo... Os salvo
Eu os descubro... Eu os guardo
Eu os cobro... Eu os troco...
Eu os modelo... De certo modo
E então eu os dou...

Eu os prendo... Eu os solto
Eu os grito... Eu os digo
Eu os dito em livros...
Ou num manuscrito
E os lanço num ouvido atento
Ou num olhar discreto

Sou a vendedora de sonhos
Cada sonho a seu dono
Sou a contadora de reversos
Sou o embalo de versos ao sono
E o embalo de teu sono a teus sonhos
Sou a autora de teus sonhos mais profundos.


24 agosto, 2011

Componho poemas


Eu arranho um poema
E componho tons de cinema,
Numa eufórica melodia
De uns riscos, e arrisco em cena,

Dedilho uma rima meio sem magoa
Nem nada assim de cara,
Só deságuo uns versos feito melodia,
Uma mentira feito alegria,

Meu som é verso... Minha nota é poesia,
Minha estrofe é toda agonia
Transtornada em arte,

E no conserto dos meus sonhos,
Quem canta é o espectador
Na primeira fila, como se fosse o sonhador,

Porque dedilho o que te faz sonhar,
Te transbordo de esperança,
Te resgato boas lembranças,

Pois no teatro dos teus sonhos
Arranho um solinho,
Entre mim e tua imaginação,

E com minhas doces ilusões,
Que resgatam lindas emoções
Que a muito não as tinha consigo.


Rosa Pó


A rosa que tu me deste
Dentro de meu livro predileto,
Eu a embalsamei em segredo,
Pois queria eternizar teu amor,
Mas foi tudo bem em vão,

Anos depois o busquei
Dentro do livro de dizeres de paixão,
O pequeno botão de rosa paixão,
Mas já nem sei se o encontrei,

No lugar da cor dos apaixonados
Só pó mais nada e só,
No lugar das pétalas amassadas
Só o caule seco e seus espinhos,

Parecia já o amor que um dia
Guardei neste peito, que hoje só pó
Em lugar daquele sentimento,

E como o talo e os espinhos,
Só sobrou a dor das marcas
Daquele amor já esquecido,
Já desmantelado, decomposto,

Limpei as páginas dos resíduos,
Do que um dia foi um botãozinho
De uma rosa paixão,
Limpei minha vida daquele passado
Que te pertenceu,

E aprendi que o amor pode ser mais
Doido, mais doído do que os nossos poetas
Ou os loucos apaixonados, nos tem revelado,

Mais espinhos do que perfume,
Mais dor numa beleza fingida,
E no final tudo que conseguimos recordar
São as marcas, e as dores de um quer
Que dizem ser o “Amar”.


24 maio, 2011

Aquela poetisa


Encontrei poemas profundos
No fundo de minha gavetas,
Tinta velha de caneta...
Letras expressivas
De um alguém
Que tinha o que dizer,

Mas procuro aquela garota
Que tanto dizia...
Que muito e de tudo escrevia...
No espelho apenas
Um olhar vazio
Que não tem nada a dizer

Como posso ter sido ela?
Como ela foi morrer em mim?
Como chegou ao fim?
Sem ninguém ter percebido

Rimas na qual hoje admiro
Como uma obra alheia...
Fugiu de mim aquela poetisa
Sobrou só um vazio
E os antigos poemas
Daquelas que fui um dia

Saudades daquela
Não qualquer poetisa,
Pois hoje uma estranha
Dominou minhas entranhas
Mudando o rumo...
Da minha estrada.


Pra viver um grande amor


Eu boba que sou
Já procurei em tantos olhares
Em muitos lugares
Um bom homem
Pra viver um grande amor

Alguém de sincero coração
E ainda livre de um amor
De olhos penetrantes e inocentes
Pra viver um grande amor,

Pois neste caminha o máximo
Que consegui foi paixão
Daquelas bem doídas,
Mas que não me fez desistir
De procurar...
Por um grande amor...

Lábios sinceros cobertos de pudor
Que seja homem de uma só mulher
De uma só palavra, de um só caráter
E que também se renda
Pra viver um grande amor

Alguém que me deixe cuidar
E que me saiba cuidar
Um Ser que não deixe de ser
E juntos aprendamos
O dom de amar por toda vida
E não tenha medo de se entregar
Pra viver um grande amor
Por toda nossa vida.


Fascinação


Passei de criadora
A simplesmente espectadora
De uma obra que minha alma adora
Mas que até isso a vida me levou embora

Me contento com migalhas de versos
Com a esperança do balsamo das poesias,
Que o óleo das estrofes me unja novamente
Abundantemente como era no meu passado
Sempre... o de sempre de antes

Já miserável que sou nesta vida
E ainda ser condenada a viver sem elas
Único consolo que o tinha... nos dias a dias
Nesta minha desgraça de um viver,

Me possuam novamente arte que me bate
O coração... quando narro obras tuas
Encarnada em meu viver, ou sofrer
Em meu sonhar, no meu amar, pronunciar

Me faças chorar desde que me faças poetizar
Me faças viajar nas assas de ilusões
Desde que sejam ......... parada de avião

Seja furacão, emoção desde que sejam inspiração
Engulo minhas malditas palavras...
Me enganei... posso viver sem qualquer coisa
Sem amor, sem sonhos, sem uma vida,
Mas não consigo nada sem você minha amiga poesia

Ligue-se novamente a mim...
Dê-me novamente uma chance...
Porque minha vida sem poesias nas entre linhas
Não é vida, não é digna de ser lida
Sou escrava tua minha lira de poesia

Dê-me uma historia cheia de rimas
Pra que um dia tu tenhas orgulho desta vida
Que te carregou no peito com muito respeito
Pois meu único delírio é nunca ser exilada
Ou proibida de poetizar...

E pra sempre fazer isso com respeito
Pra que nem eu nem tu morras
Com o deslizar dos séculos a nossa volta

Então volta e seja de uma vez minha eterna cumplice
Minha cura, pura literatura vertida poesia
Nos eternize entre os séculos, não sejas apenas visita
Meu mundo lindo, seja perpetuo e poético.


Eu amo mesmo você


Do que adianta minha voz 
Não falar teu nome
Se meu coração te chama,

Do que adianta não escrever-te
Se minha mente te diz
Todo o tempo que te amo

E não adianta eu me calar
Sempre irei te amar

Mesmo sem coragem
Pra confessar ou deixar
Meu orgulho ferido de lado

Não adianta esconder
Eu amo mesmo você.