21 agosto, 2010

Tu me calou


Tenho tanto a te falar,
Mas você foi de todos
O único que me fez calar
E apenas escutar

Tenho tanto pra te dizer,
Mas me calas em silêncio

Mesmo me calando a voz
Calou minha dor...
Calou minha solidão...
Calou meu coração
Das lamentações

Calou toda minha fúria...
Calou minhas duvidas...
Calou minha covardia...

Calou minhas loucuras...
Minhas tristes venturas
Me fez inquieta de um calar,

Pois teus lábios calaram
Todas palavras de meus lábios,
Pois tu calaste todo frio
Trazendo-me calor
Ao velho e triste amor,

Mas mesmo assim
Tenho tanto a te dizer
Deste mesmo amor
Que tu um dia calou,

Porém um dia ainda te conto...
Que só tu calaste minha dor,
E trouxeste tanto amor...


Que saudade



Que saudades das madrugadas
Em que tecia meus textos
Sem pretextos de sono

Que saudade da minha rede
Nela balançar olhando pro ar
Vendo as nuvens a passar

Que saudade dos pássaros observar
Os ver voar em bandos, em filas
Perfeitas em V

Saudade de parar o olhar no nada
Ir longe na imaginação
Sem pressa pra voltar

Que saudade de degustar de livros
Palavras em lazer, e das velhas
Fazer enxerto em novos poemas

Que saudade de pintar, bordar, gritar
Ficar acordada no escuro
Criando histórias fictícias

Que saudade de abrir o baú velho
Das lembranças e destripar tudo
E ir relembrando cada um
Que passou pelo meu coração

Que saudade de tocar, de cantar,
Que saudade de cozinhar
De fazer comprar e passear

Que saudade de minhas loucuras
Que saudade ...
De minha alma livre.

Pés descalços


Pés descalços feridos
Que a muito caminhão
Procurando a direção

Pés desnudos machucados
De tantas pisadas
Mesmo que por mais delicadas

Feridas do trajeto
Na corrida da vida
Cheios de flagelos

Pegadas, pequeninas elas,
Mas ambas doloridas
Do trilho indevido da vida

Manchas talvez deixadas
De sangue nos espinhos,
Pedaços largados
Nas farpas feridas


Inocentes pés...
Calçados em dor
E na constante fuga
De um não sei quê!

Na lida aflita
De feridos pés descalços
Calejados, adapto
Ao trajeto de uma vida
Carregadas de feridas
Que diria não serem
Bem vindas.

O enigma das portas


Escolhas vem embaraçadas
Num molho de chaves...
E no decorrer da vida
Nos deparamos com portas
Logicamente fechadas

E chegando a hora da escolha
Qual chave, qual porta
Umas são fáceis de abri-las,
Mas outras, às vezes,
Queremos até arrombá-las,

Porém as pessoas esquecem
De primeiro checar
Girando a maçaneta,
Pois a porta pode estar aberta

Só faltava girar a maçaneta,
Portanto tentamos
Sempre pelos lados
Mais difíceis enquanto
A resposta pode estar
Bem na nossa frente,

 Mas cegos pelo pânico
Deixamos a porta certa
E aberta pra traz

E seguimos nas escolhas erradas
Que a vida enganosa
Nos oferece pra nos embaraçar
E a porta certa passar
Sem nem notarmos

E no final jogarmos a culpa
Em tudo, e nos revoltamos,
Mas jogar a culpa no mundo
Menos na própria cegueira
É bem mais fácil...
Que abrir a porta certa.


Leito de Sonho


Queria acordar com as réstias
Do sol a me procurar
Em meio aos teus braços

E em meu corpo estar grudado
Seu cheiro másculo
E em meus poros impregnado
De seu perfume

Minha boca com teu gosto
Meus lábios ainda molhados
Dos teus degustados

E dentro de mim
Vestígios ainda de ti
E em ti minhas marcas
Arranhadas, mordidas
No descontrole do prazer

Ah! Queria me deitar com o luar
A nos vigiar em meio aos lençóis
Emaranhados e o edredom
A nos esconder cúmplices


Ah! Como queria me deitar
E acordar contigo ao meu lado.

Já nem sei...


Já nem sei se sofri, ou se amei
Se te vi ou se chorei
Se vivi ou se morri
No instante que te conheci

Já não sei de mais nada
Se é saudade ou só magoa
Já nem sei se foi amor
Ou apenas fuga daquele
Meu antigo amor

Só sei que foi dor
Ter esquecido quem amei
Pra tentar te amar

E no fim de tudo já nem sei
Se amei, se brinquei
Se chorei, se neguei
Ou até odiei, ou perdoei,

Pois tentei viver todos aqueles amores
Mas todos eles... todos eles foram dores

Só nem sei se foi dor
Ou se alivio esquecer
Tudo aquilo...
Que amei... que odiei
Já nem sei...


Charme de luar


Hoje como que vagando
Pelas ruas da cidade
Com o olhar vazio
Fixado no nada
Com dor em saudades
Do meu amado...

Sem notar como chegou lá
Meus olhos estavam
Observando o vasto céu
Todo escuro, azul

Lembrei-me de ti
Tua cor pintava
Todo um céu
Com apenas a doce lua
Sem nenhuma companhia
Sem nenhuma estrela,

Mimosa, cálida, pendurada
Charmosa em tua face
Que me parecia teus sorrisos,

Mas lua tão bela
Parecia deitada
Até me parece que via
Seus bracinhos dependurados
Ao corpo largado
Na esfera de um fenômeno
Dos mais lindos
Contemplado aqui da Terra
...
E fiquei pensando depois
Será que de onde estas
É a mesma face de lua?

Será que ela a teu ângulo
Esta tão suave, cálida
Envolvida em doce sorriso?

Será que de onde estas
Contemplas lua tão bela
E também lembra-te de mim?
...
Lembrei-me de ti
Tua cor pintava
Todo o céu de inverno
Com apenas a lua
Dependurada fazendo charme
Balançando suave
Pelo céu tranqüila
Em doces sorrisos

Só pra inspirar
Os loucos sonhadores,
Seus secretos admiradores
A escrever-lhe poemas
De amores em amores.

Cala-te Coração


Cala-te coração
Não vês quanta dor
Já me causas-te?

Tenho que seguir na razão
Não em meras emoções
Que em um abismo
Me vertera em destruição

Ah! Apazigúe coração
Paixões não tornarão
Novas então, não aparecerão

Acalme turbilhão
Amor é mera ilusão
Não te renda à contradição

Siga na contra mão,
Mas não te rendas
Meu sôfrego coração
As loucuras da paixão.

Tuas Estações


Teci pra ti um cachecol
Pra te esquentar dos dias frios
Pra me sentires sempre contigo

No verão tu me refrescou
Sempre nos lábios um frescor,
Uma brisa de amor

No outono contigo colhi
Folhas a voarem ao vento,
Nelas confissões escrevi

E lindas rosas vermelhas
Na primavera me ofereceu
E meu amor ainda mais floresceu
Como doces camélias

Foi uma paixão vivida
Como estações
Que se vem e que se vão

Só me lembro que no verão
Teus lábios eram frescos,
Amenos de desejo

E já no inverno tuas mãos,
Teu corpo aquecia o meu,
Acendia afável paixão,

Mas paixão de estação,
Pois durou apenas
Uma estação e meia,

Porem em cada uma delas
Me lembro de um alguém
Que tu foi junto de mim
Até aquele estranho fim,

Portanto até hoje teço
Poemas daquele tempo,

Pois aquela candente paixão
Que ainda esquenta meu coração
Pra resistir a tanta solidão,
Dolorosa e fria saudade

Apenas suas lembranças
Refrescam minha memoria
Mesmo com nossa triste
Separação na historia

Estações que se descarrilharam
Nos trilhos da vida...
Infelizmente faz parte da lida

Mas fui parte de ti um dia
E você ainda é parte de mim
Mesmo sem saber qual será
O nosso verdadeiro fim.

Nova Chance


Viajei adentro me entendendo
Confesso foi tortuoso pra chegar...
E no imaginado escuro... encontrei
Uma doce luz a se apresentar
Pelo codinome EU RECOLHIDO

Abismei quando enfim acreditei
Que ela era toda a luz emudecida
Logo aqui... bem dentro de mim

Tive pejo por meu olhar opaco
Tive vergonha dos sorrisos negados
Tendo tanto esplendor a esbanjar

Abri então espaço a Ela... Lucinda
E nos tornamos grandes amigas
Nas lidas da vida...
Me soltei, me transformei

Encontrei em mim alguém especial
Que provou meu potencial
Alguém que esteve sempre
Tão perto e nunca reparei

Desde então aprendi tanto
Que nem sei o quanto...
Pois aprendi a escutar meu ego
E comecei a viver melhor
E tomar as decisões certas

E tudo isso apenas por que
Viajei adentro de mim
E encontrei uma força sem fim
De lutar, de crescer... de vencer

Então me dei uma nova chance
De enfim ser feliz.


Lados Extremos


Da euforia a melancolia
Do choro a gargalhadas
É assim que eu vivo
Entre o vivo e o morto
Entre o riso e a lagrima

Dois mundos dentro de mim
Duas faces num só rosto
Duas fases em um só luar

Uma sentença pra dois seres
Dentro de apenas um
Sem saber quem sou na verdade
Se existir uma fatalidade

Bipolar, uma lunática,
Um transtorno me verte
Da euforia a melancolia
Do sopro de dor em estripulia

Psicopata do humor
Que do riso verte em dor
E do ódio derrete em amor
Psicose da dor e do riso

Dor e riso nos mesmos lábios
Em dores ou doces opostos

E sigo dopada, drogada
Pelas capsulas da gargalhada
De uma mentira, um devaneio

Porque a verdade talvez
Fosse demais pra uma
Das duas dentro de mim
Eufórica ou melancólica?
Melhor deixar pro futuro decidir.

Um dia


No trilhar da vida
Algum dia meus olhos
Foram janelas da alegria
E sentinelas dos sonhos

Em algum dia
Ainda no passado
Meu corpo
Foi molde de beleza

Um dia meus cabelos
Foram cordas fortes
Em tranças de esperança

Um dia minha cama
Foi berço as quimeras
Um dia meus devaneios
Foram berço a minha poesia

Um dia meu rosto,
Meus lábios, meu olhar,
Foram motivos lindos
Pra um coração amar
Um dia fui uma doce criança
A sonhar, a brincar,
A rir da própria desgraça
Sem nem notar...
Nem fazer ideia do que era,

Um dia houve coragem
Nestes olhos que não mais
Encara a vida com coragem

Naquele tempo ninguém ousava
Calar estes lábios
Que tudo desafiava,

Mas quem me olha hoje
Pode ver que nada mais existe
Do alguém que fui um dia.


Olhos turvos


Um dia nos teus olhos encontrei
As doces estrelas qu’iluminavam
Sonhos tão loucos, risos tão soltos,

E noutra noite te procurei...
Tão solto luar em teu doce olhar,
Mas não encontrei do luar
Seu prateado a cintilar

Só escuro vazio, tão triste vazio
Na imensidão dum olhar
Distante em magoas guardadas

Olhos tão alegres que foram
Tão alegres e faceiros,
Olhos vazios, sozinhos, sombrios,
Cadê seus sorrisos?
Onde esta teu brilhar?

Hoje só encontrei aguas escuras
De um mar tão frio e profundo
Sem si quer um reflexo no olhar

Teus olhos de antes... tão lindos, tão vivos
Corriam iluminando os nautas a chegarem
Sôfregos até as beiras da praia
Que retornavam cada um a seu abraço
Em saudade de seu bem querer

Portanto, agora só encontrei
Olhos vazios, sozinhos, sombrios
Quero resgatá-lo olhos lindos
Pra onde foram teus sorrisos?
Onde escondeu teu brilho?

Olhos escuros em doença
De inocência furtada
Olhos de segredo que antes de menina
Hoje estranha mulher em cegueira
Com um brilho ainda a resgatar

Olhos triste, olhos feridos
De lagrimas sangradas em dor
Te trarei novamente sorrisos
Um novo brilho irei conquistar
E como uma estrela te ofertar
Num brilho eterno a te iluminar
Seu doce e único olhar.

20 agosto, 2010

O Ultimo Beijo


Te vi recostado tão calmo
Que nem vias meus olhos
Minha alma a te implorar
Por um beijo, por um olhar

Tentei gritar socorro,
Mas a voz travou, calou,
Quis te sacudir, te abalar,
Mas só consegui me afastar
Aos prantos por dentro,

Mas aqueles pilares
Foram únicos cumplices
Da nossa despedida repentina
Cretina que aos poucos
Foi arrancando do peito a flecha

Meus olhos te imploravam pra ficar
Pra não deixar de me amar,
Enquanto teus olhos
Se banhavam talvez em alivio
Ou talvez em simples adeus

As palavras de mais nada adiantava,
Pois já tinha tomado tua decisão,
Não importava mais meu coração
Se eu ainda te queria e te amava
Ainda num abraço lento
Parecendo o primeiro
Na verdade era o ultimo,
Mas mesmo assim
Tive esperança que ficasse

Mesmo ambos querendo
Se entregar a aquele beijo
Que poderia ter sido
Não o ultimo mais sim
O primeiro sem um fim

Num beijo banhado em dor
Em lagrimas de despedida
Até então ainda sem saber
Que aquele era o ultimo beijo
Foi selada nossa partida
De cada um da nossa vida

Como se nada houvesse acontecido
Tudo resumido naquele triste
E ultimo beijo.


Ah tempo! Se eu fosse o vento


Ah tempo! Se eu fosse o vento
Não pararia nem si quer um momento
Atravessaria sentimentos de cimento
Abalaria muros de agua dementes

Painaria o bravo mar
O mundo todo iria trilhar

Passaria de raspão entre os lábios
Dos amantes em deleite
Passaria de levinho no rosto pintado
Pingando em dores incolores
E lhe acariciaria, secaria bem de levinho

Brincaria em meio aos cabelos
Das meninas moças lhes assistindo
O gracejo de vê-las a arrumar

Sorriria de encontro ao sorriso do menino
A voar na balança que vai alta
Batendo contra mim solto sonhando

Se eu me tornasse em vento
Eu não perderia tempo
Me aliaria a ti correndo

Entraria entre frestas ao anoitecer
Pra dar boa noite e vê-los adormecer

Brincaria com as folhas ao ar
Carregaria aromas a embebedar
Um coração a se apaixonar

Vento em seus transtornos
Na fúria, na caricia
Sem regras, sem barreiras,

Mas daqueles ventinhos
Cálidos, suaves que sussurram
Cantigas de amores

Eu levaria as palavras
Entoadas pelos enamorados
Ou loucos apaixonados

Seria o tufão em fúria
Seria brisa de refrescancia
Seria a verdadeira liberdade
Seria visitante das quatro partes
Do mundo...
Ah tempo! Se eu fosse o vento!