31 julho, 2012

Tempestade no olhar



Tempestade no olhar, tudo que se podia dizer
Ao espreitar no fundo de meus olhos...
Talvez nem tão ao fundo precisasse procurar,
Quem sabe nas portas mesmo se podiam notar,
Uma tempestade, um turbilhão de novas emoções
Que antes a vida ainda não tinha lhes doado,
Um gosto amargo adocicado, confuso talvez,
Tão recente, tão crescente que chega a assustar,

Mas de face a tua face, paralisada, emocionada,
Tentava engolir em seco ou escapulir dali
Pra não me escapar palavras ou ações,
Pra que não me rendesse como réu confesso
De um sentimento nem tão profundo,
Mas raso, coevo, em uma explosão inesperada,
Que dava pra ver bem pelas beiradas de um olhar
Confuso, pego de surpresa quase a se render,

Com a pressão do teu corpo tão próximo,
Teu olhar tão fixo, tão possessos dos meus,
Pareço nem encontrar o ar, esqueci como respirar...
Então acalme logo esse meu olhar tempestuoso
Pra quem sabe voltar a respirar antes qu’eu desmaie...
Dê cá logo estes lábios a me calar qualquer recusa,
Pra que eu feche enfim meu olhar, e venha a mirar
Tua alma a me enlaçar e me acalmar desse turbilhão.

Sonho e nada mais



E de repente teus lábios eram tão urgentes,
Tão colados feitos os meus, tão inquietos,
Me pareceram gelados de imediato,
Mas já haviam esquentado nos meus
E teus dedos emaranhados em meus cabelos
E o ar já não importava tanto,

Perdi a noção do tempo ali dentro do teu abraço,
O frio que nos rodeava não nos dominava,
Pois o fogo que ardia dentro de nós,
Esquentava-nos e nos consumia aos goles,
E eu só queria mais e mais dos teus lábios,

Queria que aquele momento nunca acabasse
Que o tempo parasse pra nós... E ali dentro
Dos teus braços, segura, segura de mim,
Cativa daqueles lábios tão candentes
Que me puxavam com toda força para si,

Mas o tempo a galopes sem dó nem piedade
Pulavam-se os segundos um após o outro,
Enquanto teu aroma colava em meu corpo,
E de repente um barulho bem atrás de nós,
Olhei bem de relance e voltei à procura
De teus lábios...

Mas já não os encontrei, você havia sumido,
Se defeito como nevoa em meio ao meu abraço,
Meio atordoada notei que não havia passado
De um sonho, um lindo e gostoso sonho...
Então acordei assustada sem você ao alcance,

Mas me pareceu que teu cheiro pairava
Ainda pelo ar... Minha pele ainda sentia a tua,
Mas se desfez ali na escuridão do meu quarto
E restou-me apenas aquele sonho dos teus lábios
Apenas sonho e nada mais.

Gotas de Saudade


Coloquei sentimentos demais em meu olhar
E ele veio a transbordar doces gotas
A pular em um abismo breve e carrancudo,


Ao recordar talvez de algum amar...
Ou soltas e agressivas palavras
A retornar em meu vago pensar,
Soltas a trilhar num mundo duplo
Onde jamais alguém poderá alcançar,



Alçou voo a um precipício sem volta,
Chão sujo, duro, ingrato, pisoteado,
Que acolhe obrigado, doce que amarga,
Água que logo vira barro em meio a pó
Sem a menor chance de resgate,



Depois de lançadas, nada lhes refugia,
Nada lhes acolhe, nem dó nem piedade...
Evapora então bem de pressa, vira ar,
Que meu silêncio vai pingar pela cidade,



Larga esse sentimento mal lembrado,
Machucado, escondido pelas covas,
Pelos cantos das calçadas imundas,



Que essas minhas gotas de saudade
Caim cheias... morram... evaporem
Pra nascerem livres... Irem
Pro céu virar chuva de verdade.

06 julho, 2012

Dor, magoa e só...


Ando observando bem os recuos que vem machucando,
As recusas aos pedidos de abrigo ou ao menos presença
Num olhar que enxergue toda essa solidão
Nesse meu coração que chora sem gemer, nem reclamar,
Já que não teria a quem contar toda essa magoa,

Ando medindo os cantos, o escuro, a ver...
Se ainda eles não me rejeitariam, se ao menos o vazio
Me acolheria num abraço longo... E demorado
Onde poderia me entregar novamente ao silêncio
De um vácuo, um espaço vazio qu’eu possa completar
Com toda essa ausência de um abraço amigo...

Toda essa falta dum olhar que compreenda uma dor
Quase que sem motivos... Sem pretextos a sorrir,
Ou a quem dividir um sorriso amigo,
Sem quem roubar um olhar, ou cativar um gargalhar,
Sem ter o que e a quem sempre...
E os prantos... E se assim ao menos os prantos
Me consolassem, mas nem eles se me achegam,

E numa última esperança, numa última ousada tentativa
Me lanço ao vazio, e me rendo ao fundo dum baú
De chave e sem dono nem como, me exilando,
Trancando e pr’um fundo retornando,
Pr’um lugar donde jamais deveria ter ousado me levantar...

A procura de um olhar amigo a quem pudesse distinguir
Como responsável por um sorriso si quer...
A um regozijar só em ter sempre por perto um anjo,
Que dizem chamar de amigo, que ao quer de abrigo
Se faz um abraço, no qual nunca fui digna desse amparo
Ou si quer um sorriso reciproco sincero ou cumplice,

Agora ainda com tantas abordadas de repulsas e repudio
Ainda carrego a esperança de num cantinho escuro qualquer
Ainda haver um vão espaço que me caiba...
Com toda essa minha magoa e dor de um mundo onde...
Nunca teve lugar pra um sorriso meu, só escárnio,

Solidão ao menos tu seja-me por abrigo... Te suplico...
Não amizade, apenas um cantinho escuro e abandonado
Pra onde possa voltar ao pó... Por dó, solidão
Dê-me apenas um canto frio sem manto mesmo
Pra que com toda minha dor, magoa e só
Volte ao pó, amparada pela ausência, feito um nada.



Corre Solidão


Corre solidão, vai correndo buscar
De quem eu possa chorar saudade
Num futuro de um passado a saudar,

Venha solidão trazendo um olhar
Assim como o meu desamparado,
A se juntar a esse meu coração
Magoado, ferido, sofrido,

Vá logo buscar aquele solitário
A me procurar pelas calçadas
De cada em cada rosto a passar,

Corre solidão que vem chegando
Aquele par de olhos meigos
Que a tanto estava esperando,

Deixa-me por aqui solidão,
Pois coração sabe bem quem chegou,
Ele vem iluminando meu coração
Só com um sorriso em minha direção,

Vai solidão pelas ruas das cidades
Procurar um novo cativo a ti,
Pois quem chegou não vai partir,

Solidão, passado que não me envergonha,
Que me guardou pra esse momento
Feito de um redescobrir a quem sonha,

Agora dois sorrisos, dois par de olhares,
Um só motivo de amar e amar
Um par a se completar...

Mas de saudade nem quero chorar
Quero é de presença me saciar,
De cheiro me embriagar,
De beijos me afogar num presente
Cheio de um futuro certo dele,

Nesse doce descobrir, doce gostar
A me esperar, a me procurar
Em meio à solidão a nos massacrar
Eu ei de te encontrar doce sonhar.


Teus lábios nos meus


Antes que seus lábios encontrem os meus
Pareço esquecer-me de como respirar,
Mas quando deles provo o pomo, só há suspiros,
O arfar se junta meu e teu sem parar pra respirar,
Vai fugindo o sentido, vai sumindo o fôlego,

Só se escuta o suspirar, mas quem ali
Esta ciente desse suspirar, senão a presença,
Que presença? Aquele corpo grudado
Enxertado feito parte minha sem recorte,

Aquela presença que me rouba o fôlego
De modo que lhe agradeço ao invés de protestar,
Lhe peço mais e mais desses seus lábios mortais,
Já que me roubam o fôlego, me fazendo suspirar
Mesmo sem respirar, sem lembrar o que é ar,

E tudo gira confuso, não me lembro mais
Seja antes, durante, não sei se chego a respirar,
Mas sei que tu suspiras... Suspiras...
Antes que teus lábios toquem os meus,
Sinto teu hálito arfar me impregnando,

E diante desta sua hipnose vou enternecendo
E não consigo me lembrar de como respirar,
Só sei, depois que começarmos iremos nos afogar
Em desejo sem ter tempo a voltar...
Tão cedo a voltar a respirar... Suspiras então.

05 julho, 2012

Só Você

Como pude pensar que estava sozinha?
Você sempre esteve bem aqui junto de mim,
Eu posso até ter me sentido sozinha,
Posso não ter te visto aqui todo esse tempo,
Mas hoje sei que você sempre esteve aqui

Você esteve em silêncio quando eu quis chorar
Mas sempre ali me espreitando preocupado,
Você teve aqui me olhando, me esperando...
Esperando te olhar e pedir pra ajudar,

Mas só você respeitou meus momentos,
Só você entendeu minhas crises
E deixou de lado todas as palavras mal ditas
Você me entendeu nunca me condenou
Nunca me jugou como todos eles,

Você como sempre me deixou fazer
Minhas próprias escolhas
Mesmo sabendo que eu iria retornar
Pra teus braços, teu abraço,

Só você entendeu toda minha rebeldia
Só você respeitou meu espaço...
Obrigada por me amar
E me aceitar como eu sou
Obrigada meu amor por me amar
Do jeito que só você sabe amar.




Anjo feito gente


Sonhe comigo meu doce anjo,
Sei que quase sem querer,
Te quebrei uma das asas,
Perdoe minha travessura,
Sei qu’é tarefa difícil me cuidar,

Mas fique tranquilo que agora
Meu leito te será por abrigo,
Que traquina até agradeço,
Pois assim não me foges mais
E não te sentes dividido...

Entre o ficar e o partir, fiques
Tão inteiramente, que te curo
Das feridas daquele tombo feio
Ao tentares partir, mas agora anjo,
Anjo meu, sem mais pra onde ir...
Aquieta-te bem perto de mim,

Pois também sou anjo alado,
Escondido, calado e misturado
Pelo mundo afora, quase indigente,
Mas também sou anjo feito gente
Meu doce anjo apaixonado...

Toma cá em meus lábios, novas asas,
Olhe aqui em meus olhos,
Que veras o brilho das estrelas
Bem de pertinho, todas elas,

E adormeça em meio a meu mimo,
Anjo meu sonhe comigo, tranquilo,
Pois nossas asas quebradas nos tornam
Anjo feito gente, que o bicho-homem
Chama de almas gêmeas...
Nos bobos e alucinados apaixonados.

Quando estiver triste meu amigo

Quando estiver triste meu amigo,
Quando as palavras te incomodarem
Me deixe calada mesmo ao seu lado,
E quando precisar de consolo
Deixa-me dizer bem baixinho no ouvido,

E ser for preciso conselhos... semeio,
Quando quiser chorar tem colo aqui,
Quando estiver desanimado
Me chama que chego bagunçando,
Dou um jeitinho de te animar,

E se for o caso, sento do teu lado
E choramos ali calados,
Que aqui tem colo, tem cócega,
Tem gargalhada, tem cumplicidade,

Porque faço qualquer coisa
Pra secar suas lágrimas,
Curar suas feridas,
Te colar um sorriso no rosto,

E se a tristeza me pegar
Eu busco forças, mas te amparo,
Porque sei que quando precisei
Tive um amigo que esteve sempre
Ao meu lado: Você!