20 agosto, 2010

Ah tempo! Se eu fosse o vento


Ah tempo! Se eu fosse o vento
Não pararia nem si quer um momento
Atravessaria sentimentos de cimento
Abalaria muros de agua dementes

Painaria o bravo mar
O mundo todo iria trilhar

Passaria de raspão entre os lábios
Dos amantes em deleite
Passaria de levinho no rosto pintado
Pingando em dores incolores
E lhe acariciaria, secaria bem de levinho

Brincaria em meio aos cabelos
Das meninas moças lhes assistindo
O gracejo de vê-las a arrumar

Sorriria de encontro ao sorriso do menino
A voar na balança que vai alta
Batendo contra mim solto sonhando

Se eu me tornasse em vento
Eu não perderia tempo
Me aliaria a ti correndo

Entraria entre frestas ao anoitecer
Pra dar boa noite e vê-los adormecer

Brincaria com as folhas ao ar
Carregaria aromas a embebedar
Um coração a se apaixonar

Vento em seus transtornos
Na fúria, na caricia
Sem regras, sem barreiras,

Mas daqueles ventinhos
Cálidos, suaves que sussurram
Cantigas de amores

Eu levaria as palavras
Entoadas pelos enamorados
Ou loucos apaixonados

Seria o tufão em fúria
Seria brisa de refrescancia
Seria a verdadeira liberdade
Seria visitante das quatro partes
Do mundo...
Ah tempo! Se eu fosse o vento!


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