13 fevereiro, 2010

Menina – Mulher


Me envergonhei
Quando ao espelho cheguei
E no reflexo notei
Alguém, alguém

Tão diferente, isolada
Uma garota escondida
Por baixo de um rosto pintado
Uma mascara borrada

Pra esconder o escuro
Que emana do peito,
Ocultar a dor que trás
No machucado peito

Uma garotinha
Que nos borrões quer ocultar
Sua prematura alma
Não, não idade,
Sim identidade

Grande na idade
Pequena estatura
Que há persegue
Idade que não se diz

Dum olhar ingênuo,
Ainda infantil
Que por trás de lápis,
Rímel e sombra

Tenta esconder toda
Sombra de duvida
De um ser machucado

Olhar sincero que se confunde
Num rosto vulgar,
Seus tons de vermelho

Corpo exposto ao desejo,
Mas que lhe causa pejo
Se recusa render-se ao beijo
É fel lábios sem desejo

Corpo frágil, sem defesa,
Sem protetor, sem consolo,
Sem dono, só maldade
E engano ao seu redor

Mente confusa de uma
Menina mulher
Escondida por trás
Dum duro olhar

Pejo quando lhe cai a mascara
Trincando ao tocar o chão
Tudo como antes no coração
Jogado, pisado e esmigalhado
Muito bem trucidado

Menina mulher
Se esconde por trás
Da face falsa vulgar

Que jamais se entregara
E tornar a errar
Caindo nos laços
Da dor de amar

Melhor vulgar
Do que vulnerável
Melhor desprezível
Do que acessível.



19-10-2009.

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