13 fevereiro, 2010

Futuro próximo


A amargura
Me corrupta o corpo,
As rugas ríspida
Minha face,

A gordura
Me deforma
As curvas

As celulites fazem-me
Tropeçar no desgosto,
Os pés de galinha ciscam
No reflexo do espelho,

Os meus meigos
E lúcidos olhos
Escureceram-se o brilho
Ocultando a felicidade,

Os meus longos
E dourados fios
Se branqueiam
A cada instante

E o tempo rouba-me
A altura,

Meu caminhar
Se enfraquece
A cada passo

Minha alegria some-se
Por detrás da tristeza

Minhas mãos que tão
Delicadas foram
Agora me entristeço,

Meu delicado rosto
Se desfez com o
Sofrimento

Minha face corada
Com o tempo
Empalideceu-se

Os belos e brilhantes dentes
Amarelaram-se
E se foram antes
Abandonando-me

Tudo que era tão belo
Tornou-se tristeza

Custaram-me caro
As linhas da sabedoria,
Pago pelo conhecimento,

E as marcas não se apagam
Da minha face
Seguem me lembrando,

As feridas das vida
Me fizeram entender
O que é viver.


 

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